A Deputada
Perfil

Marina Maggessi
Dura na Queda,  faz alerta máximo.

Jornal do Brasil
Caderno B
31.07.2008

Coluna Hildegard Angel
Marina Maggessi, delegada dura na queda, faz alerta máximo!


A delegada de polícia e deputada federal Marina Maggessi lançou ontem, na Argumento, do Leblon, sua biografia, Dura na queda, escrita junto com a jornalista Ana Maria Bahiana. É daquele tipo de livro revelador, que a gente lê de uma vez só, como se assistisse a um filme de ação. Marina revela os bastidores da captura, por ela e sua equipe, dos maiores traficantes do Rio -- Uê, Marcinho VP, Elias Maluco (sem dar um tiro, dentro do Complexo do Alemão). São detalhes impressionantes, que as reportagens dos jornais nunca contam. A gente lê e vê a violência na ótica do policial corajoso, que está na linha do tiro, e antes de tudo o dever. O livro resgata a imagem do bom policial, com brio de seu distintivo. O tira do bem. Ele existe!...

A deputada Maggessi também faz o relato de como, do dia para a noite, passou de mocinha a vilã. Foi com a publicação, na primeira página de um grande jornal, de um grampo em que ela conversa com um amigo policial, a quem aconselha dar "um monte de tiros nos cornos" de um desafeto. O caso foi um escândalo, mas segundo ela cheio de inverdades. Parece que Marina está sendo mesmo sincera, pois o audio do suposto grampo jamais lhe foi entregue, apesar de a deputada pedir (disseram que a gravação, nessa parte, tinha tido problemas técnicos). A Câmara dos Deputados também solicitou os audios à Polícia Federal, que nem resposta deu. O mesmo aconteceu com a Corregedoria da Câmara, que até hoje espera sentada pelos audios e por isso arquivou a sindicância que pretendia abrir para apurar as denúncias. Pior: até hoje ninguém apareceu como responsável nem pelo suposto grampo nem pela divulgação dele! O que leva a policial Marina -- 18 anos de serviço sem uma única morte em sua ficha -- a acreditar que seus grandes inimigos não estão entre os bandidos, estão dentro da própria polícia. Ela filosofa: "Como dizia Tom Jobim, no Brasil o sucesso é ofensa pessoal"...

Talvez não interessasse a certos setores uma equipe eficiente como a de Marina, que surgiu como uma terceira via. Não uma polícia corrupta e ineficiente, nem uma polícia que mata e tortura. A polícia que todo mundo queria, e por isso Marina e seus policias eram aplaudidos nas ruas...

Agora o mais importante, e peço a vocês, meus queridos leitores, que leiam com atenção e preocupação. No fim de seu livro, a delegada faz o alerta: sua grande preocupação é a "federalização do crime organizado"... Não é coisa para demorar, é para médio prazo. Ela denuncia que a concentração dos principais criminosos de todos os Estados em duas únicas penitenciárias federais, Catanduvas e Campo Grande, está provocando "uma metástase do terror no país, que deve ser detida antes que seja tarde". Marina explica que, dentro das duas penitenciárias, misturam-se bandidos de todos os Estados, que talvez nunca se conhecessem se continuassem presos nos seus locais de origem. Estaria sendo criado "um grande consórcio do crime, norte a sul, leste a oeste"... Os bandidos mais perigosos juntos no mesmo lugar, convivendo diariamente. Primeiro conversando por frestas, quando estão na "tranca" (cela individual). Depois, quando passam a ter o direito a um banho de sol de duas horas por dia. Há também o futebol das segundas e das sextas-feiras. O que esse povo do mal fala? O que eles conversam? O que combinam?...

Há um mês, foi apreendida uma tonelada de cocaína do Fernandinho Beira Mar com a filha do traficante colombiano Juan Carlos Abadia. Um é traficante da Colômbia. O outro, aqui do Rio. Mas os dois estão lá juntos em Catanduvas, grandes amigos. É esse o exemplo que Marina dá, durante sua entrevista à coluna. A primeira depois do livro... A delegada Maggessi reclama que os onze do Comando Vermelho ficarem lá em Catanduvas é a pior coisa que podia acontecer. Diz: "Esses caras lá são ídolos. Estão fazendo escola para o Brasil todo, estão dando o que eles nunca tiveram, liderança e know-how. É a federalização do crime". Marina diz que seu medo maior é o Nordeste, "pois, se o nordestino é antes de tudo um forte, imagine o nordestino bandido?". Ela se declara apavorada. E se a delegada tem medo, que dirá nós?...

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