Marina Maggessi lança livro no Rio
e diz: ´O crime seduz, sim´ fOTO. Isac Luz/Globo.com
A ex-chefe da Delegacia de Entorpecentes do Rio de Janeiro lança o livro 'Dura na Queda'
Por - PatríciaRocha
Do EGO, no Rio
Nos últimos 10 anos, Marina Maggessi esteve na mídia por sua elogiada chefia da Delegacia de Entorpecentes do Rio de Janeiro, pelo suposto envolvimento em um escândalo com o ex-chefe de polícia civil do Rio, Álvaro Lins, e por se eleger deputada federal. Agora ela volta à cena com um livro cujo título resume seu estilo de vida: "Dura na Queda". O livro foi lançado na quarta-feira, 30/07, na Livraria Argumento, no Leblon. Romário, Rodrigo Pimentel, Cacá Diegues, Nega Gizza e MV Bill, entre outros fãs da inspetora, aguardavam pacientemente sua vez de receber um autógrafo.
Quer dizer, Romário não foi tão paciente assim: chegou, beijou a autora e amiga, e partiu sem querer falar com a imprensa. Mais eloqüente, Rodrigo "Capitão Nascimento" Pimentel era só elogios à autora: "Ela verbaliza e humaniza toda a emoção do policial, faz um link entre polícia e sociedade. Mas a importância da Marina para a força policial do Rio de Janeiro só vai ser percebida nos próximos 20 anos".
O cineasta Cacá Diegues também falou de seu respeito pela inspetora: "Conheço Marina há muitos anos, tenho uma grande admiração por ela. A vida da Marina dá um filme. O nome do livro até já é título de filme", brincou. Em "Dura", Marina conta episódios como o abuso sexual que sofreu na infância, o aborto que fez aos 27 anos, o tesão que sentiu no traficante Uê, entre outras situações que de fato renderiam um longa-metragem.
Marina está com 49 anos e dedicou os últimos três a redigir essa narrativa, com a ajuda dos jornalistas Ana Maria Bahiana e Fábio Gusmão.
Mais magra e mais feminina, a autora – que também é jornalista, apesar de nunca ter exercido – não se conteve e comentou a polêmica em torno de sua homossexualidade. "Uma vez um dos meninos bandidos foi preso e me perguntou: 'A senhora é sapatão?'. 'Mas por quê?', respondi. 'É porque toda vez que a senhora aparece na televisão, eles falam 'Lá vem aquela sapatão de novo'". Meus colegas de trabalho já têm um grande mérito em aceitarem ser chefiados por uma mulher. Agora, imagina para os bandidos como é?", ponderou Marina.
Mas ela se declara heterossexual e até se permitiu - no livro - revelar sua atração pelo bandido Uê. Ao EGO, ela explicou: "O Uê era um bandido bonito porque foi criado fora dos padrões: ele tinha uma família, cresceu dentro de uma estrutura bacana, era moreno, alto... Enfim, era um homem dentro dos moldes que a gente acha bonito. Foi uma surpresa. Nós não tínhamos nem foto dele, só tínhamos imagens dele adolescente. Quando ele abriu a porta e eu vi aquele homem de dois metros, só de cueca cor de salmão, com aquela coxa enorme e alto para burro... Bonito e completamente diferente do que ele era como ser humano".
Questionada sobre a sedução que o crime exerce, Marina respondeu bem: "O crime seduz muito até por falta de opção, como é o caso do Rio de Janeiro. A sedução depende de várias coisas. Você pode ser seduzido por coisas muito boas ou muito ruins. A sedução, geralmente, é uma grande mentira, um grande teatro, em qualquer uma de suas vertentes. Mas o crime seduz sim, bastante". Mas que nenhum bandido ou mocinho se anime para o lado dela, pois o coração da tira já tem dono – há um ano e meio - e ele é um jornalista, cuja identidade ela preferiu manter em segredo.